Avenged Sevenfold na nova edição da RockZone

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O Avenged Sevenfold é capa da edição 131 (Dezembro/2016) da revista espanhola RockZone, que traz uma entrevista exclusiva com o guitarrista Zacky Vengeance, onde ele responde questões sobre a evolução sonora da banda, o risco de lançar um disco sem publicidade, críticas as vendas de The Stage, Brooks Wackerman como novo baterista e a próxima turnê ‘ambiciosa’ da banda:

The Stage surpreendeu à todos, não só porque vocês o lançaram sem promoção ou aviso prévio, mas porque soa muito diferente do material habitual do Avenged Sevenfold. Você esteve na formação desde o início com o Sounding the Seventh Trumpet, e assistiu a todas as mudanças sonoras da banda. Você já pensava que o grupo poderia evoluir nessa direção?

Zacky: Totalmente. Desde que formamos o grupo nosso primeiro objetivo era nos distanciar e diferenciar das outras bandas. Há muitas bandas incríveis que fazem músicas que amamos, e somos seus fãs, mas não queremos copiar o que fazem. Queremos fazer algo em que somos bons, como por exemplo fazer canções grandiosas ou canções mais leves que cheguem a alma das pessoas. Queremos de tudo: canções rápidas, agressivas, mas também músicas tristes… Já tivemos em nosso primeiro disco, e ainda éramos adolescentes, em cações como  Warmness On The Soul. Tínhamos 16 anos e tentávamos gritar como as bandas norueguesas de black metal, essas coisas (risos). E então sabíamos que não ficaríamos satisfeitos fazendo o mesmo disco uma e outra vez. Sempre quisemos superar os limites.

The Stage é o primeiro disco que lançam com sua nova gravadora, Capitol Records. E disseram que vocês aceitaram menos dinheiro pelo contrato em troca de ter mais liberdade criativa e poder mostra seu ponto de vista, sua visão artística. Você acredita que muitos artistas hoje em dia carecem desse amor próprio ou essa integridade para fazer o mesmo?

Zacky: Por tudo o que tenho visto posso dizer que muitas bandas se esqueceram o que é isso sobre a música. Durante muito tempo tiveram outras pessoas lhe sussurrando no ouvido isso de “você tem que ter uma música de 3 minutos e meio ou ninguém vai por elas na rádio”, e também aquilo de “você não tem que gastar tanto esforço e tempo em um videoclipe já que ninguém vai ver, não há mais MTV”. Isso levou, por exemplo, a que grupos hoje em dia já não se preocupem em fazer vídeos de qualidade. Os grupos tem medo de dizerem o que querem. Especialmente no rock, tornou-se bastante triste. Muitos nem sequer se dão conta do que estão fazendo, mas eu me dei conta do que ocorre. Por isso queremos ser a banda que faça lembrar aos músicos que eles podem fazer o que querem, que podem fazer canções longas sem importar sua duração, que podem cantar sobre o que lhes agrada, que não tenham medo de fazer um videoclipe sensacional que gostaram só porque poderiam cobrear certas pessoas ou porque a MTV não vai pôr em sua grade. Os fãs estarão ali e o verão, o compartilharão entre eles e o verão no youtube. Oque importa é que os fãs amem o que fazemos, não me importa se uma emissora de rádio nos quer se uma uma gravadora lhe encanta. Isso é o que querem que as outras formações lembrem, que o importante é fazer nossos fãs felizes. Por isso que nesse disco era muito importante fazer e gravar exatamente o que queríamos.

Esta semana se falou muito sobre a banda, mas talvez por motivos equivocados. As notícias focavam nas vendas de The Stage e como tem sido o disco que menos vendeu no catalogo do Avenged Sevenfold nos últimos dez anos, entrando ‘unicamente’ no número 4 das listas da Billboard. Te chateia que dêem tanta atenção para este assunto?

Zacky: Para ser sincero, tem sido bastante triste, porque o que queríamos fazer era correr um grande risco e fazer o melhor para o Avenged Sevenfold. Quando você encontra pessoas que só se interessam em falar sobre número de vendas, você se pergunta ‘Quem são? De que lado estão?’. Eu pessoalmente quero que as bandas sigam bem, que os grupos de heavy metal e hard rock triunfem, quero que façam seus fãs felizes e rompam seus limites. Se você olhar o rock e hard rock do final dos anos 70 e no metal dos 80, se dará conta que as bandas faziam coisas muito arriscadas, e as pessoas os aplaudiam. Era algo enorme, e essas bandas seguem existindo nos dias de hoje… Iron Maiden ainda pode lotar estádios. Hoje em dia é tudo diferente, se uma banda tenta ser ambiciosa, se tenta gravar um bom videoclipe ou fazer um lançamento surpresa para os fãs, não é valorizada. Não gravamos The Stage pensando nos gráficos de vendas. Mas claro que é bom ter um disco em número 1, mas talvez pelo lado divertido de poder gozar e dizer ‘temos um número 1’. Mas eu penso nesse fã que economiza até o último centavo para ir até a loja, comprar o disco, aprender todas as letras e notas… Isso é o que buscamos. Não quero que me venha como um número, não quero que seja apenas ‘Avenged Sevenfold acaba em quarto na lista’, ‘Avenged Sevenfold vendeu tantas cópias’. Quem se importa? Me importa mais pessoas que dizem ‘Avenged Sevenfold fez algo diferente’, ‘Avenged Sevenfold compôs um disco incrível’ ou ‘Avenged Sevenfold fez um grande show’. Imagino que muitos meios só buscam um clique rápido e fácil, e tentam nos derrubar nesse momento tão emocionante e cheio de mudanças para nós. Creio que foi um golpe baixo de muitos meios de rock e metal, mas considerando que nós ainda concluímos nossos shows em todo o mundo.

Vamos falar da duração das canções: Se pegarmos os três primeiros temas do disco já temos 20 minutos de música. O primeiro single, The Stage, dura uns 8 minutos, algo raro no mundo mainstream… Foi algo feito com premeditação ou um modo de protesto?

Zacky: Não saiu dessa maneira, foi tudo natural. Começamos a escrever riffs e melodias que combinaram bem. Tudo fluiu de maneira orgânica e os temas pediam mais tempo, sem sentir que estávamos arrastando a um determinado lugar. Quando isso ocorre, como artista você tem que se deixar levar. Se você está feliz com as canções, se vai na direção que você quer, não importa se eles são canções longas. Se você se sente feliz com elas e acha que os fãs gostarão, então você está fazendo certo. Creio que o pior para uma banda é achar o freio e dizer ‘essa canção é muito longa’, por quê? Para quem é longa? Para a rádio? Para a gravadora? Se vai seguir esse caminho, é melhor tornar-se um artista pop (risos).

O álbum se encerra com a canção ‘Exist’, que passa por um tema instrumental até 7 minutos, que é quando começam as vozes. O tema no total dura uns 15 minutos, o mais longo de sua carreira. Estava fora de controle?

Zacky: Na realidade essa canção foi uma das primeiras canções que planejamos que seria longa. Queríamos que fosse algo ambicioso, queríamos dar aos nossos fãs uma interpretação do universo desde o início, desde o big bang, quando os planetas e as estrelas se formaram… Queríamos ser bem caóticos, com um som pesado, agressivo. Logo vem a parte tranquila onde o universo fica calmo e chegamos a essa rocha que é o planeta terra, e onde se pode habitar. E na parte final queríamos ter um recitado de Neil deGrasse Tyson para mandar uma mensagem para as pessoas, um discurso motivador para serem pessoas melhores. Temos que aprender sobre nós mesmos e formar nosso futuro, não ser outra espécie que se extingue por sua arrogância. Queríamos fazer uma canção longa, e foi definitivamente (risos).

Também encontramos uma canção lenta, ‘Roman Sky’, com muito sentimento. Já é habitual nos discos do Avenged Sevenfold ter algum meio tempo entre tanta velocidade ou agressividade… Você acha que sem algo assim o disco ficaria algo sem equilíbrio? É necessário para dar um pouco de espaço e ar?

Zacky: Nesse ponto da nossa carreira creio que seja indispensável, porque da mesma forma que gostamos das canções rápidas e agressivas, canções de metal com elementos de punk rock  e hard rock, também gostamos de canções que te façam sentir de maneira especial. Temos bonitos arranjos de corda, canções com letras e melodias que chagam ao coração. Creio que essa dinâmica que faz com que nossa banda seja especial. Há bandas que funcionam de outra maneira, como Slayer por exemplo. Eles tocam thrash e é o que funciona para eles, é o que se espera deles. Mas a nossa expectativa é que levemos os fãs a uma viagem, uma aventura. É esperado que lhes façamos sentir de certa maneira, que sejam felizes, tristes, curiosos ou aventureiros… Por isso você precisa de um bom equilíbrio de melodias e ritmos. Continuaremos fazendo temas assim em cada disco.

Nesse álbum estreia Brooks Wackerman, até pouco tempo na bateria do Bad Religion, que se tornou um novo membro do Avenged Sevenfold. Desde a morte de The Rev vocês tiveram problemas para encontrar alguém que se tornasse parte da família e já passaram pelo selo Mike Portnoy e Arin Ilejay. Custa tanto encontrar alguém que se encaixe 100% com vocês?

Zacky: O tema do baterista foi algo complicado, ao menos até agora. Perder The Rev foi o mais difícil que tivemos que suportar como grupo, porque além de ser um músico excelente, era nosso melhor amigo. Não havia maneira possível de substitui-lo. Mas veio Mike Portnoy, que era um dos músicos mais respeitados por The Rev e que obviamente tem fama mundial, e nos ajudou quando estávamos desesperados tentando terminar o disco. Estávamos desesperados para lançá-lo porque era o último que havíamos trabalhado com The Rev e significava muito para nós. Mike nos ajudou a levantar novamente, foi um tempo difícil e muito emocional porque nem sequer sabíamos se íamos continuar como grupo. Nos ajudou a encarrilhar e sempre estaremos agradecidos. O que ocorreu depois é que sabíamos que não seria uma solução permanente. Queríamos dar a oportunidade a alguém novo, Mike já estava estabelecido e tinha todo o trabalho feito em sua carreira musical, assim quisemos dar uma oportunidade única a alguém que ainda não tivesse tudo feito na música. Nos recomendaram Arin Ilejay, que é um baterista incrível e veio em turnê conosco durante uns anos… O amamos como pessoa e músico, mas chegou um momento que queríamos começar a compor canções do calibre ao qual estávamos acostumados e ele não nos atraia. Foi aí quando falamos com Brooks, éramos fãs de seu trabalho e tinha o estilo que necessitávamos. Tem uma maneira de tocar igual a de The Rev, e isso só se consegue criando o que nós criamos, tocando em bandas como Bad Religion, Suicidal Tendencies e Infectious Grooves. Sabíamos que tinha muito mais talento do que estava mostrando em sua banda atual, assim o convidamos para ensaiar e ele nos mostrou que estávamos corretos. Suas habilidades são incríveis e nos inspirou a ultrapassar nossos limites no tema composicional.

Se tem falado muito da próxima turnê e de que queriam fazer algo realmente original. Não estou certo do que vão incluir nessa nova turnê, mas acha que ainda se pode surpreender o público com algo novo em um show?

Zacky: Acho que sim. O que vamos fazer no começo de 2017 em nossa turnê europeia é algo que nunca foi feito por parte de uma banda de rock ou de metal. Não é apenas colocar uma boa produção e fazer explodir coisas, porque já fizemos na turnê do Hail to the King com muito fogo de pôr medo, e foi genial, mas dessa vez será algo tão surpreendente quanto o lançamento do disco. Tenho certeza que há muita coisa que os artistas podem fazer e que ainda não se foi feito tudo em cima do palco. Esse é o nosso trabalho! É o que temos que fazer! Porque se repete o mesmo uma e outra vez, você vai perdendo o título de artista. Os melhores artistas da histórias são aqueles que apareceram com coisas novas quando os outros não tinha nada mais a dizer. Recomendo a todo mundo que vá ver nossa próxima turnê, porque eles vão pirar.

Essa turnê européia com Disturbed e In Flames chegará no começo de 2017, mas você está pensando também nos festivais de verão? E se for assim, vão trazer a mesma produção?

Zacky: No momento ainda estamos planejando o que será nosso 2017, ainda que não temos as coisas 100% confirmadas. Não posso garantir que voltaremos no verão, ou se será antes ou depois, mas voltaremos a Europa em 2017. Iremos a todos os lugares onde não havíamos ido na primeira turnê, e daremos o melhor show possível para nossos fãs. Isso quer dizer que todos os shows serão com a produção completa.

E para terminar, se o seu eu atual pudesse dar um conselho para o Zacky Vengeance de 15  anos atrás que estava começando com o Avenged Sevenfold, qual lhe daria?

Zacky: Eu diria a mim mesmo para não demorar tanto para ser melhor com os outros. Fui aprendendo a medida que me tornei maior. Quando Jimmy morreu fiz uma retrospectiva sobre quando o Avenged Sevenfold começou a surgir, quando começamos a ter algum êxito. Ainda era uma pessoa muito jovem, ainda era uma pessoa muito aborrecida com o mundo e sentia que tinha algo para demonstrar. Comecei a pensar em todas as pessoas que tratei mal, a quem machuquei e fiz sentir mal, e queria desfazer tudo. Você nunca sabe pelo que alguém está passando, eu tive que lidar com a morte de meu melhor amigo e foi algo muito doloroso. Por nisso, quando você estiver se comportando como um idiota com alguém, pense que essa pessoa pode estar passando o pior dia de sua vida. Devemos tentar lidar bem e nos tratar bem. Todos merecemos o mesmo respeito.

  A nova edição da revista pode ser obtida gratuitamente pelo iTunes e Google Play.
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